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Tabela Price e SAC: entenda as diferenças antes de financiar
Ao contratar um financiamento imobiliário, de veículo ou qualquer crédito parcelado, você será apresentado a dois sistemas de amortização: a Tabela Price e o Sistema de Amortização Constante (SAC). Entender as diferenças entre eles pode representar uma economia significativa ao longo do contrato e ajuda a escolher o formato mais adequado à sua situação financeira atual.
Amortização é o processo de abatimento gradual de uma dívida. Em qualquer financiamento, cada parcela paga é composta por duas partes: a amortização (redução do saldo devedor) e os juros (custo do dinheiro emprestado). O que diferencia Price e SAC é justamente como essas duas partes evoluem ao longo do tempo.
Como funciona a Tabela Price
Na Tabela Price, o valor de todas as parcelas é idêntico do início ao fim do contrato. Isso é alcançado pela fórmula PMT = PV × [tx × (1 + tx)^n] / [(1 + tx)^n − 1], onde PV é o valor financiado, tx é a taxa de juros mensal e n é o número total de parcelas. A parcela fixa oferece previsibilidade no orçamento mensal.
Porém, existe um detalhe importante: nas primeiras parcelas da Tabela Price, a maior parte do valor pago corresponde a juros e apenas uma pequena fração amortiza a dívida. Essa composição se inverte gradualmente ao longo do contrato. Nas últimas parcelas, a amortização domina e os juros são mínimos.
Essa característica tem uma consequência prática relevante: quem faz quitações antecipadas no início do contrato reduz pouco o saldo devedor, pois a maior parte do que foi pago até então correspondia a juros. Por isso, o custo total da Tabela Price tende a ser maior do que o do SAC para um mesmo financiamento.
Como funciona o Sistema SAC
No SAC, a amortização é constante ao longo de todo o contrato: você paga o mesmo valor de abatimento do principal a cada mês (valor financiado dividido pelo número de parcelas). O que varia é a parcela dos juros, que diminui progressivamente porque incide sobre um saldo devedor cada vez menor.
O resultado são parcelas mais altas no início e que vão diminuindo mês a mês até a quitação. As primeiras parcelas do SAC são sempre maiores do que as do Price para o mesmo financiamento, mas o total pago em juros ao final do contrato é menor — às vezes muito menor, dependendo do prazo e da taxa.
Outra vantagem do SAC é que quitações antecipadas são mais eficazes: como a amortização já é constante, cada pagamento extra reduz diretamente o saldo devedor de forma proporcional, gerando uma economia maior de juros futuros.
Qual sistema escolher?
A escolha entre Price e SAC depende da sua situação financeira atual e dos seus planos para o futuro. O SAC é mais vantajoso em termos de custo total — você paga menos juros ao longo do contrato. Por isso, quem tem renda suficiente para absorver as parcelas iniciais mais altas sem comprometer o orçamento deveria preferir o SAC.
Já a Tabela Price é mais adequada para quem precisa de previsibilidade máxima no orçamento ou tem renda limitada no momento da contratação. A parcela fixa facilita o planejamento mensal e garante que o comprometimento de renda não aumenta com o tempo.
Uma estratégia comum é contratar pelo SAC com parcelas maiores no início e, à medida que a renda cresce, manter as amortizações extras para acelerar a quitação. Use o simulador acima para comparar o total pago em cada modalidade e tomar a decisão com base em números reais.
Entrada, prazo e taxa: os três fatores que mais impactam o custo
O valor da entrada é o fator de maior impacto sobre o custo total do financiamento. Quanto maior a entrada, menor o valor financiado e, consequentemente, menores os juros pagos ao longo do contrato. Uma entrada de 30% em vez de 20% pode reduzir o custo total em dezenas de milhares de reais em um financiamento imobiliário de 30 anos.
O prazo também tem enorme influência. Financiamentos mais longos resultam em parcelas menores, mas o total pago em juros é muito maior. Reduzir o prazo de 360 para 240 meses pode representar uma economia expressiva no custo total, mesmo que a parcela mensal suba.
Por fim, a taxa de juros é o fator mais óbvio, mas nem sempre o mais fácil de negociar. Comparar propostas de diferentes bancos e instituições financeiras antes de fechar o contrato é essencial. Uma diferença de 0,5% ao mês na taxa pode representar uma diferença de dezenas de milhares de reais no custo total de um financiamento de longo prazo.